Virtualidade e Presença na Educação: Gradientes da Educação Sem Distância

 

O que é Presença?

Vivemos uma era em que os conceitos de distância, virtualidade e presença estão mais interligados do que nunca. Mas, afinal, o que significa “estar presente” ? 


Para o senso comum, estar presente em algum lugar, com algo ou com alguém, necessariamente implica no compartilhamento do mesmo espaço físico. Isso fazia sentido quando não havia tecnologia que viabilizasse a interação a distância, não nos dias atuais.

Infelizmente, essa visão ultrapassada alimenta um preconceito pervasivo e imperceptível, mas que traz prejuízos e atrasos, contra atividades realizadas a distância. O exemplo mais impactante é o uso do termo “presencial”  como sinônimo de compartilhamento de espaço físico.

O prejuízo para a imagem da EaD começa por aí, pois Educação a Distância é tratada como “Educação não Presencial”.  Ironicamente, no pós-pandemia, reuniões e trabalho a distância são aceitos como atividades em que os participantes são creditados como presentes, porém tais atividades são inexplicavelmente chamadas de “não presenciais”. Oi???

Estar presente é participar, engajar e interagir. Não importa se sob o mesmo teto ou a milhares de quilômetros de distância. Por outro lado, não é difícil identificar alunos ausentes da aula apesar de estar sentado na carteira de uma sala física.

 Imagine uma videochamada com alunos: vocês estão fisicamente distantes, mas interagindo em tempo real. Esse é um tipo de presença síncrona.

 Por outro lado, um fórum de discussão assíncrono também pode criar um certo nível de percepção de presença, mas de maneira diferente.

Distância Transacional

Conforme discuto em meu livro, Educação Sem Distância”, a partir da visão de Michael Moore de Distância Transacional (distanciamento psicológico e comunicacional percebido pelo aluno) a presencialidade não é binária (presente ou ausente), mas um gradiente que depende de diálogo, autonomia e flexibilidade das atividades desenvolvidas. 

Há cursos EaD sem presencialidade? Claro que há! Cursos auto-instrucionais, baseados apenas em apostilas ou aulas pré-gravadas, por exemplo. Mas nem toda EaD é, nem precisa ser, dessa forma. Com interatividade e atividades síncronas os alunos podem estar muito presentes, ainda que a distância. 

Precisamos urgentemente rever conceitos e terminologia que envolvem “presença” e “educação”! 


O que é virtual?

Conforme propõe Pierre Lévy, virtual não é o oposto de real. Virtual significa potencial de vir a ser algo. Um programa de computador que gera um metaverso é um universo em potencial, ou seja, um universo virtual.

A experiência de interagir e participar desse universo, mesmo que por meio de avatares, é, contudo, muito real. Os participantes sentem a presença uns dos outros, interagem, se emocionam, aprendem, ensinam etc. Tais atividades e sensações não são menos reais, apenas porque se desenvolvem em espaços virtuais. 

A contraposição do virtual se dá, na verdade, com o espaço físico. Podemos desenvolver atividades educacionais no espaço físico ou no espaço virtual. Não é esse detalhe que determina a qualidade da aprendizagem. O que importa é a metodologia usada.

Se for empregada uma metodologia inapropriada numa sala de aula, a aprendizagem será prejudicada, mesmo estando os alunos e professor compartilhando o mesmo espaço físico. Por outro lado, uma metodologia adequada, usando mídias compatíveis com as necessidades de comunicação e interação daquela metodologia, podem gerar resultados excelentes, mesmo que as atividades se desenvolvam em espaços virtuais.


O contínuo Físico-Virtual



Conforme já exposto, o virtual não se opõe ao real, mas sim ao físico. O correto seria que tais ambientes fossem denominados “realidade virtual” e “realidade física”.


Contudo, a “realidade física” é chamada, na prática, apenas de “realidade”, enquanto que o termo “realidade virtual” é reservado para simulações realistas e imersivas de realidades.


Assim como ocorre com a presença, há também um gradiente entre a realidade física, ou simplesmente, realidade, e a realidade virtual.


Diferença entre Realidade aumentada, Realidade misturada e Virtualidade aumentada:


Nesse continuum surgem três novos conceitos: realidade aumentada (ambiente físico enriquecido com elementos virtuais), virtualidade aumentada (ambiente virtual enriquecido com elementos do ambiente físico) e realidade misturada que engloba os dois conceitos.


A tendência atual é de ampliação do uso de tecnologia de realidade misturada, conhecida pela sigla XR, devido à maior oferta de equipamentos de realidade virtual que possibilitam experiências de realidade aumentada e vice-versa. Dois exemplos desses equipamentos são o Meta Quest e o Apple Vision Pro.




Imersão a baixo-custo

Os equipamentos de realidade virtual, aumentada ou mista propiciam imersão, presencialidade e interatividade, tornando as barreiras entre realidades e presenças virtuais e físicas cada vez mais tênues. 

Mas o que muitos educadores não sabem é que é possível quebrar essas barreiras, com muita imersão e presença, sem o uso dos ainda caros equipamentos de realidade virtual, aumentada ou mista. Uma solução imersiva bastante interessante são os ambientes compostos por imagens panorâmicas 360.

Aqui está, por exemplo, uma vista à USP que criei rapidamente usando imagens capturadas com meu celular e aplicativos gratuitos.

Como sou muito demandado sobre esse tema decidi preparar um curso rápido sobre como criar visitas virtuais interativas e imersivas, usando aplicativos gratuitos e smartphones. 

Para você que acompanha meu blog e chegou até aqui, segue um presentinho. Mas não conta para ninguém. ;-)

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Boa diversão, aprendizado e imersão!

O futuro da educação não tem distância – ele tem possibilidades!


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